VIA EM REDE

Habitats de inovação em rede: uma disciplina de impacto

Em 2020, foi a primeira vez que a disciplina de Habitats de Inovação, do grupo VIA Estação Conhecimento, ministrada para o mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento (EGC), foi ministrada em rede. A disciplina teve 76 inscritos conectados, de três países, 12 estados brasileiros e 37 cidades. Confira a localidade dos discentes no mapa.

Pins de alunos VIA

Localização dos alunos da disciplina em rede

Docentes e especialistas compartilham experiências

A disciplina contou com um corpo docente de excelência. Ao todo foram 10 professores e especialistas nacionais e internacionais que compartilharam suas experiências sobre os diversos habitats de inovação. Os temas perpassaram por ecossistemas de inovação: um movimento colaborativo em rede para o desenvolvimento de territórios; as cidades como habitats de inovação: criativa, sustentável ou inteligente; os parques e os centros de inovação como propulsores dos territórios. E, por fim, testando soluções inovadores em ambientes reais: living labs e movimento maker.

Os professores que debateram os respectivos assuntos foram:

Josep Miquel Piqué – Diretor de Internacionalização e Inovação da La Salle-URL, Presidente executivo da La SalleTechnova Barcelona, Presidente da XPCAT (Red Catalana de Parques Científicos y Tecnológicos). Doutor em Ecossistemas de Inovação.

Jorge Audy – Superintendente de Inovação e Desenvolvimento da PUCRS e Professor. Titular da Escola Politécnica da PUCRS. Pós Doutor IASP na Tsinghua University, China e Universidade de Málaga, Espanha.

Marcus Rocha – 25 anos de experiência no mercado de tecnologia e inovação em projetos nacionais e internacionais, é Superintendente de Ciência, Tecnologia e Inovação na Prefeitura Municipal de Florianópolis.

Hans Michae Van Bellen – Pós-doutor pela University of California – Berkeley. Professor da Universidade Federal de Santa Catarina. Líder do Observatório da Sustentabilidade e Governança e do grupo de inteligência da Rede Ver a Cidade Florianópolis – cidades sustentáveis,

Jorge Piqué – Fundador da UrbsNova – Agência de Design Social e Inovação e criador em 2013 do Distrito Criativo de Porto Alegre – Distrito C, um projeto de desenvolvimento territorial a partir das Economias Criativa, do Conhecimento e da Experiência.

Andréa Tamanine – Pós-doutora em Gestão de Parques Tecnológicos pela Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha. É professora efetiva da Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE.

Artur Gibbon – Professor da Universidade Federal do Rio Grande – FURG, diretor do OCEANTEC, Parque Tecnológico da FURG e presidente da REGINP – Rede Gaúcha de Ambientes de Inovação.

Silon Junior Procath da Silva – Coordenador de Empreendedorismo da Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia da UFSM e responsável pelas políticas de incentivo ao empreendedorismo e pelos ambientes de inovação. Atua na estruturação do Parque Científico, Tecnológico de Inovação da UFSM.

Carlos Vaz – Professor da Universidade Federal de Santa Catarina do curso de Arquitetura. É vinculado ao projeto de pesquisa Living Campus, na Universidade de Melbourne.

Regiane Pupo – Professora da Universidade Federal de Santa Catarina. Coordenadora da Rede PRONTO3D – rede de laboratórios de Fabricação Digital no estado de Santa Catarina, com polos em Florianópolis (FABLAB PRONTO3D), Lages, Criciúma e Chapecó.

Metodologia Ciclo VIA

Esta metodologia é pautada por abordagens combinadas das metodologias ativas de educação. Assim, optou-se por metodologias baseadas no local (são 10 territórios brasileiros estudados) e baseadas em problemas e projetos. Ambas possuem aprendizagem ativa onde discentes e professores identificam situações reais e realizam proposições de melhoria para determinado território. A disciplina mesmo em formato remoto possibilita uma vivência experiencial e imersiva que beneficia alunos e professores.

A metodologia utilizada transcorreu por seis etapas: i) personas e atores; ii) desafios; iii) soluções; iv) stakeholders; v) proposição de atuação no território; e, vi) demo day. A metodologia já vem sendo utilizada pelo grupo, na mesma disciplina, tendo como focos anteriores o Distrito de Inovação de Florianópolis – atual Distrito 48 e o Centro de Inovação da ACATE – Sapiens Parque.

Os territórios selecionados pelos grupos estão localizados em seis estados brasileiros: Serra – Espírito Santo; Maceió – Alagoas; Santarém – Pará; Cuiabá – Mato Grosso; São Bento do Sul; Balneário Camboriú; São José; e Florianópolis – Santa Catarina; Santa Rosa; e Santa Maria – Rio Grande do Sul.

banner ciclo via

Alunos apresentam proposição de plano de ação para 10 territórios brasileiros

Os alunos utilizaram ferramentas próprias do grupo e a condução foi feita por um time de 12 professores e especialistas convidados, responsáveis por balizar as atividades juntos aos grupos de cada território. Dentre os nomes estão: Francisco Rapchan – IFES; Luiz Augusto Mendes Filho – UFRN; Frederico Araujo da Silva Lopes – UFRN; Jardel Pauber Matos e Silva – UFMS; Luis Felipe Dias Lopes – UFSM; Francisco José Peixoto Rosário – UFAL; Gabriel Sant’Ana Palma Santos – ACATE; Celson Pantoja Lima – UFOPA; Silon Junior Procath da Silva – UFSM; Artur Gibbon – FURB; e, Andréa Tamanine – UNIVILLE.

A partir da metodologia Ciclo VIA, os alunos trabalharam as seis etapas indicadas na disciplina com as ferramentas citadas. Os grupos trabalharam de forma colaborativa para a entrega do plano de ação. Primeiro, identificaram personas e atores dos respectivos territórios.

Logo após, os alunos identificaram os desafios e definiram soluções para os habitats de inovação selecionados. O auxilio dos 105 stakeholders foi fundamental, com suas percepções. E assim, cada grupo apresentou os resultados finais de proposição de atuação nos 10 territórios com 11 propostas de solução.

Confira a seguir o habitat de inovação escolhido por cada grupo e os desafios trabalhados.

GRUPO 1: SERRA – PARQUE: PARQUE CIENTÍFICO TECNOLÓGICO DO INOVASERRA

Desafios percebidos:
Oportunizar a formação continuada e mitigar a evasão de talentos
Oportunizar infraestrutura para o habitat de inovação
Acesso às tecnologias da Indústria 4.0
Continuidade das ações e fortalecimento da pauta junto aos atores da tríplice hélice e stakeholders
Incrementar e sustentar a relação academia – business
Atrair novas empresas âncora, diversificar os setores, oportunizar novos negócios e funding

GRUPO 2: MACEIÓ – CENTRO DE INOVAÇÃO

Desafios percebidos:
Baixo fortalecimento da cultura empreendedora e de inovação
Ambiente de negócios de baixa competitividade
Governança de gestão “Ausência de atores de fomento mais diversos inexistente”
Infraestrutura do Centro de inovação limitada
Baixa retenção de talentos
Ausência de mecanismos de inovação para as fases iniciais
Falta de uma jornada de inovação no território, integrada e efetiva – “EGOSSISTEMA”
Fetichização dos espaços físicos

GRUPO 3: SANTA ROSA – CENTRO DE INOVAÇÃO

Desafios percebidos:
Pouca integração entre os diferentes agentes promotores da inovação
Dificuldade para desenvolver e incorporar o DNA e a cultura de inovação
Baixa propensão para o desenvolvimento de negócios circunstanciais
Falta/dificuldade para acessar recursos
Dificuldades de geração e acesso a dados sobre a matriz produtiva
Pouca diversidade de segmentos industriais e indefinição da matriz produtiva
Gap de formação em diferentes áreas tecnológicas

GRUPO 4: SÃO BENTO DO SUL – CENTRO DE INOVAÇÃO

Desafios percebidos:
Lei da Inovação Municipal
Ecossistema de Inovação regional
Mindset da Inovação
Marketing
Ambiente de Inovação
Modelo de Governança
Investimento de risco

GRUPO 5: BALNEÁRIO CAMBORIÚ – DISTRITO CRIATIVO

Desafios percebidos:
População não tem entendimento sobre economia criativa
O território do distrito criativo não está definido
Muito planejamento e pouca ação realizada
Atores não possuem conhecimentos de gestão
Faltam ações que promovam a economia criativa
Presença de egos que querem se apropriar do movimento
Falta de conexão entre os atores
Atores se sentem sem apoio e incentivo

GRUPO 6: MACEIÓ – DISTRITO CRIATIVO

Desafios percebidos:
Ocupação, moradia e diversão. A região é vendida como área nobre.
Hoje, ainda possui uma falsa percepção de periculosidade.
Gestão e planejamento estratégico, carência de comércio local para os moradores, dificuldade para definir modelos de negócios
Infraestrutura e mobilidade – Vários espaços sob processo de litígio, dificuldade de acesso à região e sazonalidade da cidade.
Políticas Públicas – Falta de conhecimento dos agentes públicos, falta de continuidade de projetos e projetos voltados para bases tecnológicas.

GRUPO 7: SÃO JOSÉ – DISTRITO CRIATIVO

Desafios percebidos:
Falta de valorização dos espaços públicos
Necessidade de revitalizar a área
Carência de serviços para a comunidade (banco, farmácia, mercado)
Falta de visibilidade para o local
desprovimento de lugar de suporte à maricultura
Ausência de Bolsão de estacionamento
necessidade de marketing local “vender a cultura”
Necessidade de apoio do governo
Centro histórico só como lugar de passagem. São José Cidade dormitório
Gastronomia local elitizada

GRUPO 8: FLORIANÓPOLIS – REDE DE ECONOMIA CRIATIVA

Desafios percebidos:
Ausência de associação na rede de Economia Criativa – “Ego-centrismo”
Falta de leis relevantes e consistentes à área da Economia Criativa
Necessidade de capacitação | Desde o conceito de Economia Criativa até a utilização de ferramentas tecnológicas
Os atores de economia criativa, não se reconhecem.

GRUPO 9: SANTARÉM – COWORKING

Desafios percebidos:
Capacidades limitadas de prospectar e captar recursos / Excesso de burocracia
Necessidade de acesso a programas de fomento para novos modelos de negócio
Necessidade de consolidação de uma equipe para implantação do plano
Falta de mapa das expertises presentes no ecossistema
Capital intelectual disperso e baixa interação institucional / Falta de um conectivo
Necessidade de identificação dos nichos de negócio, stakeholders e gargalos
Necessidade de um plano de comunicação para engajamento dos atores locais
Diferenças culturais que impactam na formação de uma cultura inovadora

GRUPO 10: CUIABÁ – PARQUE TECNOLÓGICO MATO GROSSO

Desafios percebidos:
Federal University – integração entre o parque tecnológico e a universidade
comunidade – distância entre o parque e a sociedade
setor produtivo – distância, atração e engajamento do setor produtivo
estado – evangelização política para se tornar um objetivo estado

GRUPO 11: SANTA MARIA – PARQUE

Desafios percebidos:
Cultura da inovação e empreendedorismo.
Viabilizar fortalecimento das interações entre os atores da hélice para geração de reciprocidade via colaboração.
Flexibilização e abertura.
Ambiente favorável aos negócios e absorção de retenção de capital intelectual
Ambiente interativo voltado para inovação e criatividade
Ampliar a interação universidade e empresas.

 

 

As propostas de planos de ação para cada território é possível assistir no Link do youtube com as apresentações finais.

Agora é cada território colocar em prática seus planos de ação e colher os resultados.

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Milena Teixeira

Bibliotecária e Mestranda em Engenharia do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina, onde dedica-se a pesquisar centros de inovação e parques científicos, tecnológicos e de inovação. Entusiasta da cultura de empreendedorismo e inovação, nas horas livres participa e faz a cobertura de eventos na área para o Grupo VIA.

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