Fotografia

Cidades e Comunidades Sustentáveis

Se você tivesse que escolher uma imagem para retratar a humanidade, qual você selecionaria ao olhar para cidades e comunidades sustentáveis?

Não há dúvidas de que há muitas fotografias para marcar a criatividade e a beleza do mundo. Há lente para muitos olhares e interpretações da realidade, por isso, a arte tem importância para apurar nossas emoções, boas ou ruins, pois amplia nossa capacidade de ver e sentir o mundo.

Uma boa referência é o documentário “Human – The movie” dirigido por Yann Arthus-Bertrand, que explora todos os lados da humanidade percorrendo o mundo inteiro para entender a sua verdadeira essência e os paradoxos da existência. A partir de relatos e expressões marcantes de pessoas de diferentes culturas é possível captar identidades e especificidades que existem no mundo.

Estas especificidades e identidades são o que tornam comunidades e territórios únicos através de trajetórias e vias de progresso refletidas nas condições de desenvolvimento econômico, social, ambiental, cultural e político.

A partir destes cenários, a Organização das Nações Unidas, através dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, registra um conjunto de metas para a construção e implementação de políticas públicas que visam guiar a humanidade até 2030. É um projeto compartilhado para alcançar um futuro mais pacífico, próspero e igualitário para todos, diante dos desafios que a humanidade enfrenta como pobreza, desigualdade, mudança climática, paz, justiça, além de outras referências.

Importante destacar dois aspectos: a visão da humanidade no sentido de integridade sistêmica e a sustentabilidade como processo comunitário de troca e aprendizagem contínua para a transformação dos processos de sustentação da vida. Estes dois elementos, o humanismo e a sustentabilidade, atuam como pilares de construção e fortalecimento de territórios usados pela cultura e a criatividade.

Um dos objetivos do desenvolvimento sustentável da ONU são as “Cidades e comunidades sustentáveis”. Ou seja, o compromisso de tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. [1]

As ações, para o alcance deste objetivo até 2030, podem ser assim caracterizadas:

– Garantir o acesso de todos à habitação segura, adequada e a preço acessível, e aos serviços básicos e urbanizar as favelas;

– Aumentar a urbanização inclusiva e sustentável, e as capacidades para o planejamento e gestão de assentamentos humanos participativos, integrados e sustentáveis, em todos os países;

– Fortalecer esforços para proteger e salvaguardar o patrimônio cultural e natural do mundo;

– Reduzir significativamente o número de mortes e o número de pessoas afetadas por catástrofes e, substancialmente, diminuir as perdas econômicas diretas causadas por elas em relação ao produto interno bruto global, incluindo os desastres relacionados à água, com o foco em proteger os pobres e as pessoas em situação de vulnerabilidade;

– Reduzir o impacto ambiental negativo per capita das cidades, inclusive prestando especial atenção à qualidade do ar, gestão de resíduos municipais e outros;

– Proporcionar o acesso universal a espaços públicos seguros, inclusivos, acessíveis e verdes, particularmente para as mulheres e crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência;

– Apoiar relações econômicas, sociais e ambientais positivas entre áreas urbanas, periurbanas e rurais, reforçando o planejamento nacional e regional de desenvolvimento;

– Aumentar, substancialmente, o número de cidades e assentamentos humanos adotando e implementando políticas e planos integrados para a inclusão, a eficiência dos recursos, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, a resiliência a desastres; e desenvolver e implementar, de acordo com o Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres 2015-2030, o gerenciamento holístico do risco de desastres em todos os níveis;

– Apoiar os países menos desenvolvidos, inclusive por meio de assistência técnica e financeira, para construções sustentáveis e resilientes, utilizando materiais locais;

Cidades e comunidades sustentáveis

A cidade de Freiburg na Alemanha é uma das principais referências no âmbito do desenvolvimento sustentável, dentre as iniciativas, podem ser citadas:

  • o investimento em energia renovável com a exigência de padrões construtivos rígidos;
  • bairros ecológicos;
  • ampliação de ciclovias;
  • transporte coletivo;

Foram ações importantes para a redução de gases de efeito estufa tornando a cidade uma referência global.

Vancouver, no Canadá, também é um exemplo. Com estímulo governamental, na forma de incentivos para a adoção de energia solar e orientação nos padrões construtivos para a população, referendou a cidade como modelo a ser seguido. [2]

Consequências das mudanças climáticas

Freiburg e Vancouver, em comum, elegeram ações para conter as consequências negativas das mudanças climáticas. A centralidade da política governamental das duas cidades apoiam-se na sustentabilidade como resultado da priorização na manutenção e qualidade de vida.

O vídeo abaixo apresenta as causas e efeitos da mudança climática e contribui para que se compreenda a importância do entendimento do tema para sensibilizar e conscientizar as sociedades.

Brasil

No Brasil, a iniciativa de Sebastião Salgado, através do Instituto Terra mostra como ações e iniciativas de regeneração podem ser significativas para a recuperação e sustentabilidade de territórios degradados. Através do plantio de árvores contribuiu para a restauração sistêmica com a reintegração de espécies nativas na região. [3]

 

Estes exemplos, referências globais, permitem uma compreensão fundamental, a sustentabilidade, é consequência de uma transformação social orientada por mudança de paradigmas e de consciência coletiva para promover o desenvolvimento.

Uma boa fotografia da humanidade pode ser representada com iniciativas e ações individuais ou coletivas. Por isso, nos dias 18 e 19 de novembro será realizado o Encontro Internacional de Territórios Criativos para o Desenvolvimento Sustentável.

Este ano está sendo comemorado o Ano Internacional da Economia Criativa para o Desenvolvimento Sustentável, promovido pela ONU em conjunto com 82 países. Para celebrar e potencializar esta tipologia urbana o grupo VIA Estação Conhecimento do EGC-UFSC em conjunto com a UrbsNova – gestora do Distrito C – Distrito Criativo de Porto Alegre apresentam a proposição deste evento.

Entidades, grupos, coletivos ou profissionais estão convidados para apresentarem suas experiências para promover o desenvolvimento sustentável.

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Referências

[1] ONU. Organização das Nações Unidas. Capturado em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/11

[2] SEBRAE. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Capturado em: https://inovacaosebraeminas.com.br/7-exemplos-de-cidades-sustentaveis-e-o-que-aprender-com-elas/

[3] INSTITUTO TERRA. Capturado em: https://institutoterra.org/

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Fabiane Frois B Weiler

Pesquisadora em estágio de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento (UFSC), Doutora em Desenvolvimento Regional (UNISC) e Economista (UFSM). Dedica-se a linhas de pesquisas no campo de políticas e gestão do conhecimento voltados para o desenvolvimento, planejamento urbano e regional, ecossistemas de inovação, cidades criativas e cidades do conhecimento e inteligentes, desenvolvimento econômico, economia circular e sustentabilidade. Fundou a edtech, Tropicália Lab do Brasil em 2020, uma plataforma anfitriã de cursos interdisciplinares, mentoria e curadoria editorial e de eventos nos temas voltados para economia, cultura e inovação. Atualmente, também atua como gestora de inovação na Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Governo do Estado do Rio Grande do Sul liderando o projeto Educação para o sistema alimentar na região central do RS.

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