Marc Olivier Jodoin NqOInJ TtqM Unsplash

Uma revisão sobre o campo dos ecossistemas de inovação

Olá, leitores. Apresento uma revisão sobre os estudos recentes na temática de ecossistemas de inovação que foi tema do nosso grupo de estudos. O artigo referido é intitulado: O que está acontecendo recentemente no campo do ecossistema de inovação? uma análise bibliométrica e baseada em conteúdo. Os autores são, Cristian Rogério Foguesatto, Mateus Augusto Fassina Santini, Bibiana Volkmer Martins, Kadigia Faccin e Samuel Ferreira de Mello, da Universidade Unisinos. O artigo foi publicado na revista International Journal of Innovation Management em 2021.

Objetivo do estudo

Os autores atualizaram e complementaram a revisão realizada por Gomes et al. (2018), apresentando as características, tendências e caminhos de pesquisa sobre ecossistemas de inovação (EI).

Resultados

Utilizando dados da Web of Science, os autores realizaram uma revisão sistemática da literatura, por meio de análise bibliométrica com 153 estudos entre 2017 e 2019 e uma análise de conteúdo com os 15 estudos mais citados da amostra.

Publicações

Em relação as publicações da amostra, os 153 artigos possuem 388 autores diferentes que estão publicados em 90 periódicos. As revistas com maior número de publicações foram:

  • Technological Forecasting and Social Change;
  • Sustainability;
  • European Journal of Innovation Management;
  • International Journal of Innovation and Technology Management;
  • International Journal of Innovation Management;
  • International Journal of Technology Management;
  • Journal of the Knowledge Economy.
Os autores destacam que mesmo revistas tradicionais de gestão, como Harvard Business Review, Strategic Management Journal e Academy of Management Review, tenham tido um grande interesse em EI, o campo acadêmico se tornou interdisciplinar. As revistas interdisciplinares estão relacionadas em sua maioria com a temática de tecnologia e inovação. Ainda, o EI tem sido analisado no contexto das ciências sociais e da inteligência artificial, das cidades inteligentes e dos novos veículos energéticos com o propósito de aumentar o desenvolvimento sustentável.

Métodos utilizados

Em relação aos métodos mais utilizados da amostra, estudos quantitativos quase quadruplicaram. O número de revisões de literatura passaram de 1 para 13. Artigos teóricos conceituais diminuíram 53%, reforçando a consolidação do conceito. O método mais utilizado foi o estudo de caso, como apontado no Quadro 1.
Quadro 1: Métodos utilizados.
Abordagem Nº de estudos
Estudo de caso 75
Modelagem/Simulação 25
Enquete/Questionário 25
Teórico conceitual 16
Revisão da literatura 13
Pesquisa-ação 1
Experimental 1

Autores mais citados

Os autores mais citados na amostra não são necessariamente autores especializados em EI. Pesquisadores de estudo de caso (Eisenhardt), inovação aberta (Henry Chesbrough), capacidades dinâmicas (David Teece) e sobre Ecossistemas Empreendedores (James Moore) estão entre os 16 autores mais citados, apontam os dados dos pesquisadores, conforme Quadro 2.

Quadro 2 – Autores mais citados.

Autores Nº de citações
Adner, R. 175
Gawer, A. 72
Etzkowitz, H. 67
Eisenhardt, K. M. 60
Teece, DJ 56
Carayannis, EG 52
Iansiti, M. 52
Chesbrough, H. 49
MOURA, JF 47
Cooke, P. 43

Universidades que mais publicaram

Jin Chen, da Faculdade de Economia e Gestão, e Jin-Xi Wu, da Faculdade de Ciências Sociais, ambos os pesquisadores da Universidade de Tsinghua, na China publicaram cinco artigos cada sobre o EI. Os autores apontaram para um interesse de economias emergentes em estudos sobre ecossistemas de inovação, revelando que sete das dez universidades que mais publicam sobre o assunto são oriundas de países em desenvolvimento, conforme Quadro 3.

Quadro 3 – Universidades que mais publicam no mundo sobre EI.

Universidad País Nº de artigos
Universidade de Tsinghua China 18
Universidade Estadual de Vladivostok Rússia 9
Universidade do Arizona EUA 8
Universidade de Nanquim China 7
Universidade de São Paulo Brasil 7
Universidade Stellenbosch África do Sul 7
Universidade de Tecnologia de Queensland Austrália 6
Universidade de Cultura Chinesa China 5
Universidade de Tecnologia de Tampere África do Sul 5
Universidade de Utreque Os Países Baixos 5

Principais palavras-chave

Ao analisar as palavras-chave, os autores destacam que há um debate interessante sobre os impactos econômicos, ambientais e sociais das ações empresariais. Além disso, a universidade como ecossistema de inovação também tem sido objeto de estudo no contexto empreendedor. Na linha do tempo das palavras-chave mais utilizadas no estudo, gestão da inovação foi a mais popular em 2017; EI e inovação aberta em 2018 e Empreendedorismo, startup e PME em 2019. O Quadro 4 – apresenta as palavras-chave que mais ocorreram nos estudos da amostra.

Quadro 4 – Palavras-chave que mais ocorreram nos estudos da amostra.

Palavras-chave Nº de ocorrência
Inovação aberta 16
Emprendedorismo 13
Colaboração 7
Cidade(s) Inteligente(s) 7
PME(s) 5

Uma nova definição de ecossistema de inovação

A partir da análise de conteúdo dos 15 artigos mais citados, FOGUESATTO et al. (2021) definiu ecossistema de inovação como:

(i) Um sistema autodefinido por fronteiras (físicas ou não), (ii) onde existem relações interligadas entre parceiros/atores, (iii) que envolve um conjunto de atores — ex, cidadãos, indústrias, universidades, clientes, centros de investigação, (iv) para geração/criação de valor.

Oportunidades futuras

FOGUESATTO et al. (2021) também definiu linhas de pesquisa futuras:

  • Atores, Infraestrutura e Capital Financeiro para Inovação;
  • Orquestração de Recursos e Capacidades Dinâmicas;
  • Políticas Públicas, Capital Social e Desenvolvimento;
  • Gestão, Governança e Estratégias em EI;
  • Conceito, limites e ciclo de vida;
  • Empreendedorismo.

Conclusão

Como conclusão, os autores destacam que o conceito de EI tornou-se mais interdisciplinar, tendo sido publicado por periódicos com amplo escopo. Embora não haja consenso sobre um conceito único, o estudo identificou a consolidação da interdependência entre uma multiplicidade de atores que coevoluem como características intrínsecas à EI. Além disso, a criação de valor destacada no estudo de Gomes et al. (2018) parece estar ganhando consenso acadêmico, pois existe em diversos conceitos desse período e, fundamentalmente, está entre os artigos mais citados na amostra.

Referência

FOGUESATTO, C. R.; SANTINI, M. A. F.; MARTINS, B. V.; FACCIN, K.; DE MELLO, S. F.; BALESTRIN, A. What is going on recently in the innovation ecosystem field? A bibliometric and content-based analysis. International Journal of Innovation Management, v. 25, n. 07, 2021.

Quer saber mais? Acesse: via.ufsc.br/blog.

The following two tabs change content below.

Guilherme Paraol

Doutorando no PPEGC (UFSC) e membro do grupo de pesquisa VIA - Estação Conhecimento. Realiza pesquisa com foco em ecossistemas de inovação. Atua nos projetos de mapeamento, ativação e orquestração de ecossistemas de inovação.