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Pedala UFSC marca uma iniciativa em prol de uma SMART UFSC!

Juntamente com os movimentos mundiais de transformação das cidades, no dia vinte e três de novembro o curso de Administração movimentou a universidade para discutir a mobilidade, mesmo sob muita chuva! A disciplina Gestão de Projetos ministrada pela professora Doutora Taisa Dias contou com o apoio executivo da aluna Luziane Córdova para congregar grupos de pesquisa, entidades não governamentais e acadêmicos em uma discussão sobre o tema mobilidade urbana.

O Pedala UFSC promoveu uma agenda dinâmica para mobilização da comunidade a favor da construção de ciclovias e bicicletários na região da UFSC, além do aprimoramento da segurança para desenvolvimento de tais atividades. A programação previa um “pedalaço”, uma aula pública sobre os desafios para ciclistas e motoristas com o co-fundador do Bike Anjo Floripa, apresentação dos organizadores sobre a mobilidade na cidade de Florianópolis e uma aula sobre Cidades Inteligentes com o grupo Via Estação Conhecimento (via.ufsc.br).

Falta de cultura das pessoas

Segundo Vinícius da Rosa, do Bike Anjo, os ciclistas precisam de capacitação para estarem no trânsito, problema que gera insegurança e despreparo para transitar nas ruas. Na autoescola as informações para o motorista também deveriam ser melhor trabalhadas, pois eles não conseguem identificar o espaço que devem destinar ao ciclista e nem mesmo compreender a sinalização que estes utilizam. Infelizmente, “não há muitos lugares de apoio para a capacitação para o uso e convivência com a bike”, afirma.

Os motoristas precisam compreender os demais modais e necessidades das pessoas que estão transitando nas ruas fora dos automóveis: “Motorista muitas vezes é só motorista. Não é pedestre e não é ciclista…o que é um problema, pois as pessoas não têm consciência de compartilhamento do espaço”. É necessário que os cidadãos enxerguem os outros e tentem compreender e respeitar seu espaço, o que tornará a mobilidade mais segura. Besides, é necessário investir em mais opções de mobilidade para a cidade além dos carros. Entretanto, em todos os casos as pessoas precisam respeitar uns aos outros e agir de forma mais defensiva.

Sua dica para os ciclistas iniciantes ou que querem iniciar esta atividade é experimentar começar a pedalar em locais menos movimentados e depois partir para locais mais movimentados, de forma a ganhar fluidez. É como uma autoescola! O debate demonstrou que é preciso agir desde a educação infantil capacitando e incentivando crianças e famílias para uma mobilidade vivenciada por meio de bicicletas.

As condições da bicicleta

Além da direção defensiva de motoristas e ciclistas, há necessidade de manter em dia as condições de uso da bicicleta. Freios, correia e pneus são elementos que também definem a segurança do ciclista e demais integrantes do trânsito. Outra dica é não fazer uso de fones de ouvido, pois as pessoas não escutam o trânsito e sim apenas a música. O ouvido é mais uma ferramenta de segurança para o ciclista.

A legislação incipiente

Mesmo que a legislação verse sobre algumas questões acerca do uso de bicicletas, ainda falta uma atualização das normas brasileiras. O Código de Trânsito Brasileiro estabelecido pela Lei nº 9.503, from the 23 of setembro of 1997 apresenta ainda poucas questões que definem as ações de motoristas e ciclistas. Como exemplo, o art. 105 indica que os equipamentos obrigatórios estabelecidos pelo CONTRAN para as bicicletas são: campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo. Já o art. 201, indica que o motorista deve deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinquenta centímetros ao passar ou ultrapassar bicicleta.

 

Problemas estruturais das vias

Ainda hoje temos problemas estruturais. As ruas deveriam ser melhor estruturadas. Não há calçadas e muitas vezes nem ruas adequadas para dar preferência aos ciclistas. As ciclovias são outro problema enfrentado. Quando existentes, muitas estão em condições inadequadas e, ainda há irregularidades de carros parados em cima de muitas ciclovias, o que dificulta o uso pelo ciclista, afirma Vinícius da Rosa.

Apesar disso, diversas iniciativas privadas e da comunidade têm tentado solucionar ou mitigar alguns riscos corridos pelos ciclistas, como é o caso de aplicativos e grupos organizados. Algumas opções citadas no evento foram: blog Pedal Glamour (http://pedalglamour.com/) sobre a experiência de viver utilizando a bike como locomoção diária, Bicicletopolis (www.bicicletopolis.com) portal que reúne diversas informações e mapas para quem usa a bicicleta na Grande Florianópolis e o aplicativo Strava (www.strava.com) para conexão e compartilhamento de dados importantes para ciclistas e corredores.

 

Mercado de bicicletas

O mundo dos ciclistas ainda está em expansão. Entretanto, no Brasil, muitas bicicletas ainda são feitas de forma inapropriada para o espaço urbano ou lazer. Como consequência, também há pouca preocupação estética nos equipamentos. Besides, seu custo é elevado para aqueles que não pretender fazer uso da bike em esportes ou atletismo. As bicicletas para uso urbano precisam ser adaptadas para a comunidade!

 

Cidades inteligentes e a mobilidade

Ágatha Depiné, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento e integrante da VIA Estação Conhecimento apresentou uma aula sobre Cidades Inteligentes, destacando a importância da mobilidade na qualidade de vida dos cidadãos. Alguns dados demonstram que a cidade de Florianópolis precisa fazer profundas alterações na dimensão mobilidade. A capital catarinense representa a região metropolitana brasileira que mais utiliza o automóvel na distribuição modal, e um dos principais motivos é que o tempo gasto em transporte público para deslocamento é geralmente 46% maior. Em relação à segurança na mobilidade, também há o fato que acidentes de carro matam mais que homicídios na cidade. A mobilidade é uma importante dimensão da cidade, pois está associada à liberdade da comunidade e ao acesso à diferentes territórios, services, comodidades e, também, conhecimento.

 

A campanha que teve sua primeira edição em 2016 consistiu em estimular e mobilizar o uso da bicicleta como forma de acesso à UFSC e, principalmente, demonstrar ao poder público e autoridades a necessidade da construção de ciclovias na região da universidade, uma válida e eficaz proposta de solução face à problemática que temos quanto à mobilidade urbana, especificamente nesta localidade.

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