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O movimento maker na China

O movimento maker

Comunidades de inventores e projetistas independentes existem há muito tempo. Entretanto, recentemente, algumas características destes grupos convergiram a ponto do conceito do “movimento maker” surgir. Os participantes do movimento majoritariamente focam em prototipagem digital. Uma vez que, a utilização de softwares de design e CAD, além de equipamentos como Impressora 3D, Cortadora a laser, Arduino e outros, permitem a materialização de ideias. Dessa forma, as possibilidades de resolução de problemas através da criatividade se tornam incrivelmente tangíveis. Assim, devido a versatilidade e potencial de trabalho em conjunto com universidades e empresas, os espaços maker são propensos a atuarem em habitats de inovação nos quais estes atores estão inseridos. Essa postagem, inspirada no post sobre o movimento maker nos EUA, tem a intenção de elucidar o movimento na China e apontar algumas características.

Espaços Maker na China e o governo

O conceito de espaço maker foi introduzido na China em 2010 e estes ambientes ainda estão em estágio de desenvolvimento (XI; WU; ZHANG, 2017). Segundo Saunders e Kingsley (2016), o número destes espaços na China, em 2015, era estimado em mais de 100, com tamanho médio de 521m².

Também no ano de 2015, o primeiro-ministro Li Keqiang e uma equipe de cerca de 20 cientistas e líderes empresariais visitaram o Chaihuo Makerspace, na cidade de Shenzhen. Certamente, a filmagem do primeiro-ministro interagindo com um braço robótico enviou uma forte mensagem: o governo chinês quer que os espaços maker sejam uma força motriz para o crescimento econômico da China (XUE, 2018).

As razões pelas quais os Chineses vão a estes ambientes

Conforme os dados da pesquisa realizada por Saunders e Kingsley (2016) com 93 espaços, na China:

  • 32% das pessoas estão lá por hobby
  • 30% vão com finalidade de aprendizado
  • 21% possuem a intenção começar uma empresa
  • 17% vão por outras razões, como visitas de oficiais do governo e empresários

Recursos financeiros são motivo de preocupação

Segundo a mesma pesquisa do tópico anterior, 52% dos ambientes estão preocupados com recursos financeiros. Além disso:

  • 20% são financiados por parent companies
  • 34% recebem apoio do governo
  • 24% são bancados apenas por voluntários

Espaços Maker em bibliotecas públicas e universitárias

Os autores Li, Fan e Luo (2018) citam que os espaços maker estão sendo uma parte importante das reformas que estão acontecendo em bibliotecas chinesas. Dessa forma, o potencial destes ambientes está atraindo a atenção de pesquisadores e bibliotecários na China. Uma vez que, um número expressivo de publicações acadêmicas na principal base de dados do país, relacionam o tema maker com bibliotecas (LI; FAN; LUO, 2018). Estas, por sua vez, podem pertencer a universidades ou serem apenas de natureza pública.

Ao serem comparados com os espaços maker de bibliotecas públicas, é percebido que os ambientes localizados em bibliotecas universitárias possuem a vantagem de poderem estar relacionados com disciplinas e cursos dentro da universidade. Estes espaços em universidades são principalmente geridos pela comunidade estudantil, os quais organizam competições em conjunto com empresas (XI; WU; ZHANG, 2017).

Desafios e considerações finais

Administrar um espaço maker é inegavelmente desafiador. Dessa maneira, o desafio geral para o país asiático como um todo é fazer com que estes ambientes se tornem sustentáveis. Em outras palavras, deixarem de depender de recursos financeiros “vindos de cima” (SAUNDERS; KINGSLEY, 2016).

Para Xi, Wu, e Zhang (2017), quando se tratando de espaços maker de bibliotecas universitárias, o foco destes são professores e estudantes. Dessa forma, os serviços prestados devem ser consistentes com os cursos e interesses deste público. Entretanto, Li, Fan e Luo (2018) argumentam que se nós definirmos “novas criações artísticas e tecnológicas” como objetivo dos ambientes maker, os espaços localizados em bibliotecas universitárias perdem este propósito. Uma vez que, os espaços maker em bibliotecas universitárias chinesas acabaram atuando como uma plataforma de edutainment, ou seja, focando na mistura entre entretenimento e educação.

Saunders e Kingsley (2016) deixam claro que os principais desafios dos ambientes maker na China envolvem:

  • Autossuficiência de recursos financeiros
  • Treinamento de pessoas para a utilização dos equipamentos
  • Divulgação do espaço maker e do movimento como um todo

Sem dúvida, pelo fato da China ser um grande laboratório para o conhecimento de todas as áreas, é importante que o Brasil tenha suas experiências e desafios em mente. Dessa maneira, podemos adaptar esses fatores para a nossa realidade, reconhecendo e antecipando padrões.

Por fim, não podemos deixar de divulgar o espaço maker do VIA ! Localizado no Sapiens Parque, no norte da ilha de Santa Catarina.

REFERÊNCIAS

LI, Ming; FAN, Weiguo; LUO, Xiaolan. Exploring the development of library makerspaces in China. Information Discovery and Delivery. S.i, p. 127-135. 21 maio 2018.

XI, Qingkui; WU, Weiming; ZHANG, Yong. Makerspace Activities in China. Science & Technology Libraries. Nanjing, p. 425-433. 17 nov. 2017.

XUE, Yujie. Made in China: The Boom and Bust of Makerspaces. 2018. Disponível em: <https://www.sixthtone.com/news/1003171/made-in-china-the-boom-and-bust-of-makerspaces>. Acesso em: 24 jul. 2019.

SAUNDERS, Tom; KINGSLEY, Jeremy. MADE IN CHINA: Makerspaces and the search for mass innovation. Nesta, Inglaterra, mar. 2016. Disponível em: <https://media.nesta.org.uk/documents/made_in_china-_makerspaces_report.pdf>. Acesso em: 24 jul. 2019.

 

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Patrick Walter Rüdiger Scheidt

Graduando em Eng. de Materiais, aficionado por ciência, tecnología e innovación. Mergulhador (Divemaster PADI®).

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