Logo (1)

10 anos do Ranking das Universidades Empreendedoras

Em 2026, o Ranking das Universidades Empreendedoras (RUE), iniciativa da Brasil Júnior, completa dez anos de existência. Desde sua primeira edição, em 2016, o estudo tornou-se uma das principais referências nacionais para compreender como as Instituições de Ensino Superior (IES) desenvolvem ambientes favoráveis ao empreendedorismo, à inovação e à geração de impacto para a sociedade.

Uma iniciativa construída a partir da percepção dos estudantes

A origem do Ranking está diretamente relacionada ao Movimento Empresa Júnior. Na construção da metodologia, a Brasil Júnior realizou uma ampla pesquisa envolvendo mais de quatro mil estudantes de todo o país para identificar quais características tornam uma instituição de ensino superior mais empreendedora. Esse levantamento foi articulado ao modelo de ecossistemas empreendedores desenvolvido pela Babson College, especialmente ao framework proposto por Daniel Isenberg, que considera que ecossistemas sustentáveis dependem da interação entre diferentes domínios, como cultura, capital, políticas públicas, infraestrutura e recursos humanos.

A partir desse processo, consolidou-se uma definição que permanece vigente até hoje:

“A IES Empreendedora é a comunidade acadêmica, inserida em um ecossistema favorável, que desenvolve a sociedade por meio de práticas inovadoras.”

Essa definição sintetiza uma visão ampla do empreendedorismo universitário, reconhecendo que a geração de impacto depende tanto das pessoas quanto das condições institucionais oferecidas pela universidade.

Um dos aspectos mais interessantes do Ranking é a estabilidade de sua arquitetura conceitual. Embora indicadores tenham sido revisados ao longo dos anos, as seis dimensões principais permaneceram presentes desde a primeira edição:

  • Cultura Empreendedora;
  • Inovação;
  • Extensão;
  • Infraestrutura;
  • Internacionalização;
  • Capital Financeiro.

Uma metodologia em constante evolução

Ao longo dos dez anos, o Ranking evoluiu acompanhando as transformações das universidades brasileiras.

Na edição de 2017, a avaliação da matriz curricular passou a substituir o indicador de disciplinas de empreendedorismo, ampliando a análise das competências empreendedoras desenvolvidas ao longo da formação acadêmica.

Em 2019, foram incorporados indicadores de altmetria e revisadas as métricas relacionadas à inovação e às redes de empreendedorismo.

A edição de 2021 trouxe adaptações decorrentes da pandemia de COVID-19, incluindo indicadores relacionados ao ensino remoto e ajustes metodológicos compatíveis com o contexto vivido pelas instituições.

Em 2023, ocorreu uma mudança histórica: além das universidades, os Institutos Federais passaram a integrar oficialmente o estudo, ampliando significativamente sua abrangência e permitindo uma visão mais representativa da educação superior brasileira.

Já em 2025, a metodologia passou por uma revisão conduzida por especialistas integrantes do Conselho Consultivo do projeto. As seis dimensões foram mantidas, mas houve reorganização dos pesos e aprimoramentos nos indicadores, reforçando a coerência entre o conceito de universidade empreendedora e sua forma de avaliação. Abaixo, a figura resume a arquitetura do Ranking.

 

 

Quer saber mais sobre Universidades Empreendedoras? Acesse nossa Revista e conheça as principais características e cases.

A edição de 2025 em números

A edição de 2025 representa a maior e mais abrangente já realizada.

Participaram 121 Instituições de Ensino Superior, sendo 92 universidades e 29 Institutos Federais, distribuídos em todas as regiões brasileiras.

Outro destaque foi a pesquisa de percepção discente, que reuniu aproximadamente 34 mil estudantes, tornando-se uma das maiores consultas nacionais sobre empreendedorismo universitário já realizadas.

A coleta de dados passou a integrar três diferentes fontes:

  • pesquisa de percepção dos estudantes;
  • dados autodeclarados pelas instituições;
  • bases internacionais consolidadas, como Web of Science, WIPO e Altmetric.

Além disso, são divulgadas Boas Práticas, iniciativa voltada à disseminação de experiências exitosas e ao compartilhamento de soluções entre as instituições participantes. Destaca-se 3 boas práticas da UFSC: Observatório DNA UFSC pela dimensão Inovação; Startup Mentoring pela dimensão Extensão e Incubadora VIA Júnior

A relevância das Universidades Empreendedoras

Nas últimas décadas, as universidades deixaram de ser compreendidas apenas como instituições dedicadas ao ensino e à pesquisa para assumirem um papel mais ativo na promoção da inovação, do empreendedorismo e do desenvolvimento socioeconômico. Essa transformação está associada à emergência da sociedade do conhecimento, na qual o conhecimento científico passa a ser reconhecido como um dos principais ativos para a competitividade, a geração de riqueza e a solução de desafios sociais (Etzkowitz; Leydesdorff, 200o).

Nesse contexto, a fim de ajudar as partes interessadas a compreender e avaliar melhor o desempenho acadêmico em múltiplas dimensões, as métricas universitárias empreendedoras também devem ajudar tais entidades a aprimorar sua estratégia de desenvolvimento e, dessa forma, contribuir para a sociedade em geral (Etkwotiz 2016). De acordo com Pagell (2009), as classificações e indicadores são elementos importantes de governança do conhecimento, uma vez que as políticas de ensino superior, bem como as de inovação, têm se tornado aspectos centrais da competitividade econômica mundial.

Acessa a pesquisa do VIA que realizou uma abordagem ampla das dimensões, características e indicadores para avaliação das Universidades Empreendedoras.

Referências Bibliográficas

BRASIL JÚNIOR. IES Empreendedoras 2025. São Paulo: Brasil Júnior, 2025.

ETZKOWITZ, H.; LEYDESDORFF, L. The dynamics of innovation: from National Systems and “Mode 2” to a Triple Helix of university–industry–government relations. Research Policy, 2000.

ETZKOWITZ, Henry. The entrepreneurial university: vision and metrics. Industry and Higher
Education, v. 30, n. 2, p. 83-97, 2016.

PAGELL, R. A. University Research Rankings: From Page Counting to Academic Accountability. CONCERT 2008 (Consortium on Core Electronic Resources). Taiwan. Nov. 2009.

The following two tabs change content below.

Juliana de Souza Corrêa

Doutoranda em Engenharia e Gestão do Conhecimento na Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela UFSC, formada em Relações Internacionais (UFSC) e com especialização em Inovação em Gestão Pública. Servidora da UFSC, atuando junto à SINOVA e integrante do Grupo VIA realizando pesquisas com foco em inovação e empreendedorismo universitário.