III Living Lab The Front Gate

Quais as características de um living lab?

Grupo de estudos do #teamVIA traz estudos sobre living labs

Nesta segunda feira (23/08) tivemos a apresentação de artigos decorrentes da temática de Living Labs. Assim, um dos artigos apresentados foi “A systematic review of living lab literature”, dos autores Mokter Hossain, Seppo Leminen e Mika Westerlund. O artigo apresenta uma revisão sistemática da literatura sobre o conceito de living labs.

O que são living labs?

De acordo com Hossain, Leminen e Westerlund (2018), os living labs – ou, em português, laboratórios vivos – são considerados um fenômeno multidisciplinar. Além disso, a literatura os observa como ambientes de vida real e desenvolvimento de metodologias.

Para  a Rede Européia de Living Labs (ENOLL), organização que abrange os LLs em todo o mundo, os define como:

Ecossistemas de inovação aberta centrados no usuário baseados em uma abordagem sistemática de cocriação de usuários, integrando processos de pesquisa e inovação em comunidades reais e configurações.

Nesse sentido, os living labs podem ser definidos como espaços – físicos ou virtuais – onde com a colaboração de empresas, governo, instituições de ensino e usuários, acontece um processo colaborativo para a criação, prototipagem, validação e teste de novas soluções em contextos reais (Leminen et al, 2012).

Os ambientes de Living Lab. Acervo VIA.

Origens e paradigmas dos laboratórios vivo

O conceito de Living Lab tem sua origem com o Prof. William Mitchell, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. A Rede ENOLL o considera o propulsor do conceito, pois o professor e sua equipe tiveram um papel significativo em impulsionar as atividades de LLs na Europa (Leminen et al., 2017).

Por meio de uma revisão sistemática da literatura, o estudo discutido apresentou características que abrangem os Living Labs. Sendo elas:

Ambiente de vida real (contexto)

O estudo trouxe a percepção de três correntes da literatura sobre o assunto. A primeira corrente aborda  a contribuição do LL para o envolvimento de empresas, cidadãos, pesquisadores e organizações públicas para diversos fins, como o aprendizado (Hakkarainen, Hyysalo, 2013). Bem como, o segundo fluxo descreve o LL como uma metodologia de projeto que analisa as necessidades dos usuários em diferentes ambientes da vida real (Dell’Era, Landoni, 2014). Por fim, o terceiro fluxo tem o intuito de descrever o significado de Living Lab, esses estudos pressupões que os mesmos tem o intuito de reunir feedback de vários contextos e atividades de inovação (Nystrom et al., 2014).

Stakeholders

A atuação da quádrupla hélice no desenvolvimento do Living Lab permite a colaboração entre negócios, pesquisa e educação, administração pública aliada a sociedade civil e usuários ( Hyysalo e Hakkarainen, 2014 ).

Atividades

O estudo de Almirral e Wareham (2008) identificou três principais atividades dos LLs, sendo elas:  fornecer serviços em torno da experiência do usuário; apoiar as usuários a atuarem como empreendedores e auxiliar os usuários no processo de inovação. Bem como, os LLs podem contribuir na detecção, prototipagem e validação de soluções (Mulder et al., 2008).

Modelos de negócios e redes

Os Living Labs buscam explorar a viabilidade de um modelo de negócio em soluções complexas nos contextos reais (Almirall e Wareham, 2011). Nesse sentido, diversos Living Labs dependem de modelos de negócios sustentáveis, na medida que operam por meio de financiamentos baseados em projetos de universidades ou agências de desenvolvimento urbano (Hossain, Leminen, Westerlund, 2018).

Métodos ferramentas e abordagens

O Living Labs conseguem fornecer ferramentas para validar tcnologias, além de facilitar o desenvolvimento de produtos e serviços, com base na necessidade dos usuários (Hossain, Leminen, Weterlund, 2018). Dessa maneira, os LLs representam uma ferramenta para o estimulo da co-criação (Franz, 2015).

Resultados de inovação

Dessa forma, o estudo revelou os resultado dos LLs como parte das atividades de inovação, apresentando os resultados em duas categorizações: inovação tangível e intangível e a diversidade de inovação.

Desafios

Assim, dentre os desafios enfrentados pelos Living Labs estão a temporalidade, governança, eficiência, recrutamento, sustentabilidade, escalabilidade e resultados imprevisíveis (Hossain, Leminen, Westerlund, 2018).

Sustentabilidade

O fator sustentabilidade se mostrou relevante no estudo. Assim, alguns dos estudos presentes na revisão sistemática  analisam atividades de inovação e desenvolvimento que visam melhorar a vida cotidiana de forma sustentável. Bem como, outros estudos abordam a exploração do desenvolvimento sustentável em cidades inteligentes (Leminen et al., 2017b ) e no desenvolvimento urbano, além do empreendedorismo (Rodrigues e Franco, 2018 ).

As principais características dos laboratórios vivos

Nesse sentido, o estudo concluiu que as definições para os Living Labs e seu uso possuem diferenças na literatura. Dessa maneira, a pesquisa revelou oito principais características dos LLs, sendo elas: ambientes da vida real, stakeholders; atividades; modelos de negócio e redes; métodos, ferramentas e abordagens; resultados de inovação; desafios e sustentabilidade (Hossain, Leminen, Westerlund, 2018).

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* Créditos foto de capa: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a0/III_Living_Lab_the_Front_Gate.jpg>

REFERÊNCIAS:

Almirall, E., Wareham, J., 2008a. Living labs and open innovation: roles and applicability. eJOV: Electron. J. Virt. Org. Network. 10.
Almirall, E., Wareham, J., 2011. Living Labs: arbiters of mid-and ground-level innovation. Technol. Anal. Strat. Manag. 23 (1), 87e102.
Dell’Era, C., Landoni, P., 2014. Living Lab: a methodology between user-centred design and participatory design. Creativ. Innov. Manag. 23 (2), 137e154.
ENoLL, 2018. Bill Mitchell, Father of the Living Lab Concept, Passed Away This Weekend.  http://www.openlivinglabs.eu/news/call-papers-living-labsopenlivinglab- days-2018.
Følstad, A., 2008a. Living labs for innovation and development of information and communication technology: a literature review. Electron. J. Virt. Org. Network. 10, 99e131.
Franz, Y., 2015. Designing social living labs in urban research. Info 17 (4), 53e66. Gonzalez-Albo, B., Bordons, M., 2011. Articles vs. proceedings papers: do they differ in research relevance and impact? A case study in the Library and Information Science field. J. Inf. 5 (3), 369e381.
Hakkarainen, L., Hyysalo, S., 2013. How do we keep the living laboratory alive? learning and conflicts in living lab collaboration. Technol. Innovat. Manag. Rev. 3 (12), 16e22.
Hyysalo, S., Hakkarainen, L., 2014. What difference does a living lab make? Comparing two health technology innovation projects. CoDesign 10 (3e4), 191e208.
Hossain M., Leminen S., Westerlund M. 2018. A systematic review of living lab literature. Journal of Cleaner Production, Volume 213, 10  pp 976-988.
Leminen, S., Westerlund, M., 2012. Towards innovation in Living Labs networks. Int. J. Prod. Dev, Volume 17,  1 e 2, pp 43-59.
Leminen, S., Niitamo, V.P.,Westerlund, M., 2017a. A brief history of living labs: from scattered initiatives to global movement. In: OpenLivingLab Days 2017. August 29eSeptember 1, 2017. Krakow, Poland.
Leminen, S., Rajahonka, M., Westerlund, M., 2017b. Towards third-generation living lab networks in cities. Technol. Innovat. Manag. Rev. 7 (11), 21e35.
Nystrom, A.G., Leminen, S., Westerlund, M., Kortelainen, M., 2014. Actor roles and role patterns influencing innovation in living labs. Ind. Market. Manag. 43 (3), 483e495.
Mulder, I., Velthausz, D., Kriens, M., 2008. The living labs harmonization cube: communicating living lab’s essentials. Electron. J. Virt. Org. Network. 10, 1e14.
Rodrigues, M., Franco, M., 2018. Importance of living labs in urban Entrepreneurship: a Portuguese case study. J. Clean. Prod. 180, 780e789.

 

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Maria Eduarda Zanella

Estudante da graduação de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Santa Catarina. Movida por desafios, busca aprender mais sobre inovação, cidades criativas e humanas e levar o conhecimento a comunidade, fazendo de alguma forma um mundo melhor.