Cidades Inovação Aberta

Por que a inovação aberta tem sido tendência para as cidades?

Com a tendência de que as cidades se tornem cada vez mais inteligentes, a inovação aberta emerge como alternativa eficiente para o envolvimento dos atores que compõem a cidade sejam eles públicos ou privados na criação de novos serviços urbanos mais eficientes e acessíveis (FERRARIS et al., 2018).

Isso, porque parte da perspectiva de que uma organização pode e deve fazer uso do conhecimento e das ideias que vem do ambiente externo, tanto quanto dos internos, a fim de alavancar a performance em suas inovações (BORGES et al., 2018).

Assim, processos que consideram essa abertura são capazes de mobilizar conhecimentos de diversos lugares, criando mais experimentos, gerando ainda mais conhecimento e explorando novas maneiras de aplicá-lo, o que resulta no aumento do desempenho da inovação tanto em celeridade quanto em impacto (CHESBROUGH, 2020).
Sobretudo, não é por acaso que a inovação aberta tem ganhado destaque com a repercussão da pandemia. Chesbrough (2020), o precursor do conceito de inovação aberta, afirma que:

Com a premissa de que boas ideias podem vir de qualquer lugar, a inovação aberta torna-se um imperativo durante crises.

Os desafios das cidades

Nesse aspecto, mesmo antes da pandemia e continuando após a mitigação de seus efeitos, as cidades já compreendiam-se como espaços com complexidades e problemas que tendem a se intensificar conforme aumenta a ocupação dos espaços urbanos. Cidades por todo o mundo encontram-se frente a frente a desafios que pautam o crescimento populacional e questões de sustentabilidade (ROBAYEST et al., 2021). O alto uso de energia, conflitos de transporte e congestionamento de tráfego e altas emissões de poluentes são alguns pontos que induzem ao debate da qualidade da vida urbana nas cidades (ABPULNAGA et al., 2021).
Para solucionar esses desafios envolvem-se níveis responsivos de competência inovativa que vão muito além da capacidade da maioria das organizações do setor público (PEDERSEN, 2020). Embora conheçam as demandas da sociedade e compreendam seus níveis estruturais, os governos não conseguem se aprovisionar dos diferentes recursos, habilidades e competências para lidar com isso por conta própria (FERRARIS et al., 2020).

Desafios +Inovação aberta = Oportunidades

É nesse contexto que as organizações do setor público podem apropriar-se da inovação aberta com o objetivo principal de criar inovações que impactem positivamente na sociedade. Quando se associam a essa estratégia, o setor público vislumbra a oportunidade de criar valor melhorando a qualidade de vida dos cidadãos (PEDERSEN, 2020), ao mesmo tempo em que intensificam o desenvolvimento econômico através do incentivo ao empreendedorismo e inovação (COHEN et al., 2016).
Esse é um ponto muito importante a ser destacado: se por um lado, as cidades representam desafios ambientais, sociais e econômicos com alta complexidade, por outro lado tornam-se uma arena de onde podem surgir grandes potenciais e oportunidades (SCOZZI et al., 2017).

Tal visão de intermediar problemas e oportunidades é aproveitada em diversos programas de inovação aberta, como por exemplo, o Startup in Residence, em Amsterdã. A ideia do programa é fazer a ligação entre startups, que são empresas conhecidas por buscarem problemas e demandas para criar uma solução escalável, e os gargalos que perduram no cotidiano urbano dos cidadãos, através da incubação dessas empresas com a participação de escritórios municipais durante todo o processo (VAN WINDEN; CARVALHO, 2019).

Essas oportunidades têm feito com que os ecossistemas de inovação aberta sejam cada vez mais a estratégia preferida para lidar com problemas sociais complexos, posicionando as cidades como motores de mudanças sustentáveis (ROBAYEST et al., 2021). O fato é que boa parte das inovações mais impactantes da contemporaneidade tem acontecido nas cidades, e muito embora alguns descartem essa tendência como mero reflexo da migração urbana em massa, não há dúvidas de que as cidades estão se tornando uma plataforma para a inovação (COHEN et al., 2016).

Esse trecho faz parte da 11ª edição da VIA Revista com a temática de Living Labs. Para ter acesso ao artigo completo, acesse.

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Carlos Marcelo Faustino da Silva

Contador pela UFMT, se envolvia com startups desde a graduação, mas se aprofundou quando fundou e foi gestor do Núcleo Criativa da Ativa Incubadora de Empresas. Atualmente estuda e atua com ambidestria organizacional e inovação aberta, buscando melhorar o desempenho em empresas de diferentes estruturas e atuações através da colaboração para inovação. Mestrando em Engenharia e Gestão do Conhecimento, integrante do VIA Estação do Conhecimento.