Incubadoras Internacionais: Uma Estratégia De Internacionalização

Incubadoras internacionais: uma estratégia de internacionalização

Entendendo as incubadoras internacionais

Você sabia que as incubadoras – esse conhecido ator de suporte a negócios emergentes – também podem ser utilizadas como estratégia de inserção em mercados estrangeiros?

O papel das incubadoras na expansão de empresas para outros territórios é reafirmado por suas práticas de incubação. Isso porque aumentam o desempenho das organizações através do fornecimento de recursos, networking e assessoria de negócios [3][4].

Assim, ações como proporcionar às empresas incubadas participação em missões internacionais, colaborar na ampliação do networking com atores de outros países e oferecer assessorias de importação, exportação e de transferência internacional de tecnologia são algumas das ações presentes nesse processo [5].

Entretanto, existem incubadoras cujo foco é estritamente voltado para a inserção de negócios em países estrangeiros. Essas são as incubadoras internacionais.

incubadoras internacionais: estratégias de internacionalização

Fonte: unsplash.

Uma incubadora internacional pode ser definida como a instalação de um espaço físico compartilhado em um país estrangeiro que fornece acomodação temporária e demais assistências para empresas recém-chegadas. Isso, até o momento em que essas empresas se graduam ou deixam a incubadora para se estabelecerem por conta própria [1].

Desse modo, esses locais podem surgir de duas formas:

  • Estimulados pelos governos locais e outros stakeholders de onde estão instalados. Assim, a fim de criar empregos, facilitar a transferência tecnológica e atrair investimentos estrangeiros.
  • E também quando o país “natal” estabelece uma incubadora no exterior. Dessa maneira, gera incentivo ao investimento direto para um país de fora.

Modelos de Internacionalização

Uma empresa pode optar por se internacionalizar no momento em que for mais favorável do que ter que lidar com as transações além das fronteiras. Assim, os modelos na literatura sugerem a internacionalização através de se estabelecer um passo além da exportação no momento em que os custos ficarem mais elevados do que as outras alternativas.

Assim, conforme aumentam as exportações, há um momento em que uma empresa pode decidir trocar a estratégia de internacionalização. Isto baseando-se nos custos de exportação confrontados com os de licenciamento ou Investimento Estrangeiro Direto (ou “IED”, que se refere a uma atuação mais intensiva no outro país, como através de fusões e aquisições, construção de novas instalações no estrangeiro, etc. [2]).

Entretanto, a entrada em mercados exteriores demanda atenção para outros fatores complexos: um deles é o controle. Quanto mais controle no modelo de internacionalização, maior a chance de retorno sobre o investimento. Porém, isso também traz maiores os riscos, devido aos recursos investidos. Por outro lado, quanto menos controle, menos recursos a serem integrados, mas também prevendo menos retorno.

Incubadoras Internacionais

Fonte: adaptado de Root, 1998, citado em Blackburne e Buckley, 2017 [1].

Essa visão está alinhada com o modelo de Root (1998). Nota-se que, à medida que as empresas se tornam mais experientes, elas avançam para modos de entrada que proporcionem maior controle sobre as operações no mercado estrangeiro.

Assim, mesmo cientes de que maior controle implica em maior risco, a troca por métodos mais intensivos pode ser acomodada conforme as empresas ficam mais confiantes no território.

Portanto, no início de sua internacionalização, uma empresa pode querer adotar a exportação pelo baixo risco, mesmo com o baixo controle. Mais tarde, pode estar confiante o suficiente para entrar no mercado como um investidor de capital ou por meio de uma subsidiária integral.

E o que as incubadoras tem a ver?

De tal modo, quando se fala de riscos para negócios emergentes, não podemos deixar de fazer a ligação com incubadoras. Isso porque esses ambientes são conhecidos por tornar viável o empreendedorismo com mitigação de custos e riscos em estágios iniciais.

As incubadoras preparam as empresas nascentes para seus desafios de mercado. E, em se tratando de atuação internacional, que confere investimentos em um território ainda desconhecido, esses riscos são ainda maiores.

Desse modo, um estudo de caso de uma incubação em território chinês exclusiva para negócios britânicos [1] mostrou que a incubadora internacional é um ponto chave nesse processo. Os resultados apontaram que a incubadora foi capaz de influenciar de forma positiva esses aspectos de comprometimento com a atuação internacional dos empreendimentos. Da mesma forma, ajudou as empresas a alcançarem credibilidade em um mercado não familiar, especialmente onde contatos do governo eram requeridos.

Assim, a incubação surgiu como um meio no qual puderam construir maturidade no território exterior, com a vantagem de ainda ficarem em um estágio de alto controle e baixo risco.

Incubação versus Custos da inserção no exterior

incubadoras internacionais e internaci

Fonte: canva.

No estudo citado, os incubados apontaram que a incubadora tornou a decisão de se internacionalizar mais fácil. Isso porque em vez de se preocuparem com os elevados custos de montar uma fábrica, por exemplo, poderiam apenas se preocupar com os gastos expressivamente menores de uma incubação. Assim, durante esse processo entendiam de fato o mercado onde estavam se inserindo.

Também, comentaram sobre o imediatismo oferecido por essa incubadora em específico como meio de entrada no mercado. Nesse sentido, apontaram a incubação como uma forma rápida de inserção, mas com baixo custo em relação aos modos alternativos.

De fato, o estudo mostrou que por conta do “investimento” na incubação, inicialmente, junto com os serviços de exportação, os custos para a empresa podem ser maiores. Entretanto, a mudança de um status de incubação para um Investimento Estrangeiro Direto será mais breve do que se a empresa optasse por fazer suas exportações sozinha. Desse modo, esses custos iniciais são apontados como compensados de forma muito satisfatória pelos benefícios obtidos através do IED, que a empresa agora possui perspectivas de adoção em um menor prazo.

A compensação de “Risco x Controle” pela incubação

Então, mesmo com os gastos da incubação internacional, apontou-se uma compensação satisfatória. Ao passo que os desafios da inserção no exterior não apenas foram minimizados pela incubadora, como isso aconteceu de forma mais rápida do que se comparado com outros modos.

Assim, os incubados asseguraram que houve melhoria na percepção de riscos. A incubadora minimizou as preocupações com as distinções de idioma e cultura diferentes, burocracia, falta de consciência da marca, falta de conhecimento, proteção de direitos de propriedade intelectual e concorrência local e estrangeira.

Portanto, mesmo com ofertas de outras oportunidades, eles levaram em consideração toda essa mitigação de riscos enquanto o controle pelo processo por parte deles ainda estava estável. Como exemplo de uma universidade participante da incubação, que ressaltou que embora houvesse uma oferta de escritório compartilhado no país, foi através da incubação que encontrou uma oportunidade de ter esse recurso e ainda exercer o controle do processo.

Incubadoras internacionais: uma estratégia de inserção no exterior

Portanto, além dos benefícios descritos através de se confrontar a incubação internacional com os modelos tradicionais de internacionalização, houve um destaque para desafios comuns de quando se entra em um território desconhecido.

Assim, esses ambientes também expressam um apoio significativo para as empresas conhecerem mais sobre as normas, práticas empreendedoras, cultura e governo do país para onde pretendem estender suas atividades. Isso, além da ampliação de seu networking com aquele novo ecossistema, função que já é normalmente associada a incubação.

Desse modo, em um aspecto geral, a incubadora internacional é apontada como um fator que torna as empresas muito mais propensas a se aventurarem no mercado externo. Isso porque geram uma alternativa que não exige grande comprometimento de investimentos ou a construção de um espaço no estrangeiro. Entretanto, do mesmo modo, proporcionam a experiência de atuação naquele mercado.

Assim, em um momento oportuno, as empresas conseguem se estabelecer por conta própria naquele território. Agora já conscientes de qual modo de atuação é mais interessante adotarem. Ou, mesmo para aquelas que decidem por não se estabelecer, agora podem retornar sem grandes prejuízos, visto que os únicos recursos alocados foram com a incubação.

Quer conhecer mais sobre incubadoras?

Você pode acessar nosso e-book Incubadoras: alinhamento conceitual.

REFERÊNCIAS

Esse post foi baseado no estudo:

 [1] BLACKBURNE, Giles D.; BUCKLEY, Peter J. The international business incubator as a foreign market entry mode. Long Range Planning, v. 52, n. 1, p. 32-50, 2019.

Com referências adicionais:

[2] APEX BRASIL, 2021. O QUE É IED? Disponível em: <http://www.apexbrasil.com.br/o-que-e-ied> Acesso em: 21/06/2021

[3] FIATES, Gabriela Gonçalves Silveira et al. Análise do papel da incubadora na internacionalização de empresas de base tecnológica, incubadas e graduadas. Revista Eletrônica de Estratégia & Negócios, v. 6, n. 1, p. 252-274, 2013.

[4] KURYAN, Nadzeya; KHAN, Mohammad Saud; GUSTAFSSON, Veronika. Born globals and business incubators: a case analysis. International Journal of Organizational Analysis, 2018.

[5] ENGELMAN, Raquel; FRACASSO, Edi Madalena. Contribuição das incubadoras tecnológicas na internacionalização das empresas incubadas. Revista de Administração, v. 48, n. 1, p. 165-178, 2013.

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Carlos Marcelo Faustino

Contador pela UFMT, estudava sobre ecossistemas empreendedores desde a graduação, mas se descobriu na área quando fundou e foi gestor do Núcleo Criativa da Ativa Incubadora de Empresas. Atualmente mestrando em Engenharia e Gestão do Conhecimento, integrante do VIA Estação do Conhecimento.

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