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O que são cidades criativas?

Continuando nossa Série Habitats de Inovação o habitat da vez é a cidade criativa.

As primeiras teorias e pesquisas sobre as cidades criativas se propagaram nos anos 90, mas somente após 2002, com o impulso da publicação da teoria da classe criativa e seu impacto na regeneração urbana, o debate se intensificou e recebeu destaque global. Um dos desdobramentos desse debate foi o incentivo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) que, em 2004, criou sua Rede de Cidades Criativas para promover a cooperação com e entre as cidades que identificaram a criatividade como um fator estratégico para o desenvolvimento urbano sustentável.

O precursor desse conceito foi o urbanista Charles Landry, o qual defende que a crise nas cidades contemporâneas pode ser solucionada com o estímulo à curiosidade, imaginação e criatividade de seus cidadãos, gerando novas oportunidades e soluções para os problemas urbanos. Em sua visão, assim o espaço urbano é utilizado como uma plataforma de inovação aberta à sociedade civil ou, um laboratório de soluções.

A cultura e as cidades criativas

Apesar de o conceito de cidade criativa ter se originado com o impulso da indústria ou da economia criativa, o mesmo não se pauta somente na economia e, para seu desenvolvimento, o ponto chave são os recursos culturais. A capacidade criativa de um local depende de sua história, cultura, forma e condições operacionais, formando um conjunto que define o caráter da cidade. Recursos culturais como a linguagem, a gastronomia, as opções ou preferências de lazer e as tradições estabelecidas formam o background criativo que particulariza cada espaço urbano.

“Cidades criativas são aquelas onde há senso de conforto e familiaridade, uma boa mistura do velho com o novo, variedade e escolha e um equilíbrio entre o calmo e o vivificante ou entre o risco e a cautela” (LANDRY, 2013, p. 45)

Assim, o planejamento urbano de uma cidade que visa tornar-se criativa deve basear-se no reconhecimento, gestão e exploração de seus recursos culturais, sendo o ponto de partida: compreender como ela é, qual sua identidade. Para promover a criatividade urbana tira-se proveito da história e de sua cultura, as quais estão incorporadas nas aptidões e nos talentos das pessoas. Na prática, para tornar a cidade criativa, são necessárias oportunidades para as pessoas expressarem seus talentos, obterem aprendizagem de alta qualidade e desenvolverem uma mentalidade de “posso fazer” – como agentes de mudança do cenário urbano -, o que depende de espaços que favoreçam o encontro, compartilhamento, experiências vibrantes (gastronomia, arte, natureza, etc.) e diversão, promovendo o potencial dos cidadãos para transformação do espaço urbano.

Cidades criativas realizam a articulação entre atividades criativas, indústria criativa e governo, estimulando o potencial criativo de organizações e pessoas, produzindo efervescência cultural e permitindo um fluxo rico e diversificado de ideias na população.

Se interessa pelo assunto? Veja mais sobre cidades criativas nessa aba.

*Esse post foi baseado no trabalho: DEPINÉ, Á.; MEDEIROS, D.; BONETTI, G.; VANZIN, T. Cidades criativas e o componente cultural no desenvolvimento urbano. In: DEPINÉ; Ágatha; TEIXEIRA, Clarissa. (Org.). Habitats de inovação: conceito e prática. 1ed. São Paulo: Perse, 2018, v. 1.

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Ágatha Depiné

Advogada e pesquisadora apaixonada pelo conhecimento. Dedica-se a pesquisar o conhecimento político e sua relação com a participação cidadã, o desenvolvimento urbano inovador e o direito urbanístico. Cidadã engajada em movimentos sociais para transformação urbana. Doutoranda e Mestra em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela UFSC. agathadepine@gmail.com

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