China

VIA em TOUR vai a China conhecer os habitats de inovação da potência mundial que mais cresce no mundo

VIA conhece a economia da China que cresce 7% ao ano e tem como apoio os habitats de inovação como os parques

A China ainda é uma incógnita para muitos estudiosos. Mesmo com diversas imersões, o entendimento das estratégias do país demanda principalmente conhecimento sobre o sistema político e a cultura da população. Esta mesma cultura faz com que a política pública seja estabelecida nacionalmente e operada pelas diversas instâncias. É orquestrada pelo governo e operada pelos gestores beneficiando o sistema chinês e o próprio cidadão.

Zhou (2005) considera que a literatura sobre regiões de inovação se concentra principalmente em casos em economias capitalistas maduras como as da América do Norte e Europa. Além disso, o autor enfatiza que há pouco conhecimento em outros ambientes com economias avançadas, como por exemplo, a China.

Como forma de aproximar as relações com o país, a comitiva brasileira esteve na China entre os dias 17 e 30 de dezembro. Desta forma, a convite do Prof. Dr. Xiangdong Chen, da Universidade de Beihang, em Pequim, e viabilizada pelo Bureau of Foreign Experts Affairs, do Ministério de Ciência e Tecnologia da China, a comitiva foi formada pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Prefeitura de Maceió, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE) e Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI).

O grupo passou por quatro cidades (Pequim, Nanjing, Wuxi e Shangai) e visitou sete habitats de inovação. Assim, acompanhe nossos posts e veja as informações sobre:

  • Zhongguancun Venture Street
  • Beihang University Incubator
  • Jiangsu Life Science and Technology Innovation Park
  • Science Park of Nanjing University
  • Heng Hua Technology Park
  • Zizhu International Education Park and Asia Europe Business School
  • Binjiang Park

Enquanto isso, saiba mais sobre a China no ebook que mostra os habitats de inovação de Shangai!

China a potência nacional orquestrada pelo governo apresenta iniciativas inspiradas internacionalmente

Autores como Bizzotto e Santos (2017) indicam as inspirações internacionais em modelos bem-sucedidos. Assim, as iniciativas se associam a atração de talentos, a construção de infraestrutura de alto nível, investimento maciço em educação, atração de empresas e investimentos internacionais.

O modelo do Vale do Silício, por exemplo, não inspira apenas países como o Brasil. Logo, a China, com crescimento de 7% ao ano, apresenta inspiração internacional para suas estratégias de implantação da política pública. Para potencializar as ações de empreendedorismo e inovação, diversas são as ações identificadas como parques, incubadoras e programas universitários. Em especial, o governo apostou nas chamadas Zonas Especiais de Desenvolvimento. Visivelmente, os esforços chineses foram concentrados para alcançar a revolução tecnológica presente no mundo. Cao (2004) contextualizada que em 1988, o Conselho de Estado aprovou a criação de a Zona Experimental de Pequim para Novas Tecnologias e Desenvolvimento Industrial, o predecessor do Zhongguancun Science Park que subsequentemente permitiu outros 52 parques de alta tecnologia a nível nacional.

Diferentemente de outras partes do mundo, na China o governo define quais serão os parques a partir de uma série de critérios. Estes serão evidenciados em próximos posts! Autores como Tan (2006) considera ainda que a China seguiu um caminho incremental, em que programas e medidas para reformar sua economia foram introduzidas em etapas. A evolução das reformas encontradas no país permitiu programas e medidas que proporcionaram condições para que a economia fosse identificada por sua liderança – assim como vista hoje.

China e a política “portas abertas”: a criação de habitats de inovação e o fomento ao empreendedor

Zhu e Tann (2007) caracterizam as mudanças a partir da chamada política de “portas abertas” que fomentou o Sistema Nacional de Inovação, reconhecendo que sua agenda ambiciosa para ciência e tecnologia só poderia ser alcançada com foco no regional. Tan (2006) considera que as mudanças possibilitaram menor competição e maior colaboração local. Ademais, a emergência do empreendedorismo e de empresas de base tecnológica puderam ser identificadas, sendo o melhor exemplo dessa estratégia o Zhongguancun Science Park (ZSP).

Yu (2018) indica que Zhongguancun foi estrategicamente posicionado como 1ª Zona Nacional de Demonstração da Inovação da China. Inaugurado em 1988 (ZHU e TANN, 2007) o ZSP foi estabelecido após visitas de cientistas chineses à Rota 128 e ao Vale do Silício, nos EUA, e à importação de práticas recomendadas para a China. Essa Zona, conforme indica Yu (2018), apresenta 88 km2 e conta com 16 parques em Pequim. Dada a proporção da região, o mesmo autor considera que Zhongguancun pode ser posicionado logo atrás do Vale do Silício, sendo atualmente classificado como o segundo maior centro de empreendedorismo e inovação do mundo.

China e as iniciativas orgânicas

Localizada no Parque, uma das surpresas na China é a iniciativa do Inno Way – Zhongguancun Venture Street. Conhecida por ser uma rua de inovação, o movimento surgiu organicamente com muitos locais onde os empreendedores privados utilizavam os espaços existentes e se encontravam. Na China, os coffee shops ganham espaço. A tipologia deste tipo de habitat de inovação se assemelha aos coworkings. Entretanto, o ambiente não exige pagamentos por horas de uso. São pontos de encontro dos empreendedores.

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Coffee shop no Inno Way Street – China

Lançado oficialmente em 2013, o local apresenta ações que motivam principalmente a iniciação dos negócios. Além disso, é uma mescla de empresas nascentes com consolidadas gigantes como a Intel que apresenta um espaço de experiência para o usuário em seu ambiente de inovação.

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Innovation Lab Intel

A rua mantém diferentes espaços para a demonstração de produtos. Além disso, a Innoway Gallery chama a atenção por abrigar um showroom de protótipos desenvolvidos por empresas residentes ou de programas organizados pela Inno Way.

Na verdade, o que se observa é o ecossistema de inovação que funciona para que talentos tenham oportunidade de fazerem suas inovações e manterem seus empreendimentos. Assim, são encontradas no espaço ações de mentoria, networking, incubação, aceleração, conexão com universidades, acesso a investimento, eventos de empreendedorismo e inovação.

Não está na China, mas quer conhecer a rua da inovação? Acesse o tour virtual!

Referências

BIZZOTO, Carlos Eduardo., SANTOS, Gabriel Sant’Ana Palma. Ecuador and Latino america Workshop on Business Incubation Planning, Construction and Administration. SANTOS, S.; TEIXEIRA, C.; GASPAR, J. (Orgs).Editora Perse, 2017. Disponível em: <http://via.ufsc.br/download-ebook-shangai/>

CAO, Cong. Zhongguancun and China’s High-Tech Parks in Transition: ““Growing Pains”” or ““Premature Senility””? Cong Cao. Asian Survey, v. 44, n. 5, p. 647-668, 2004.

TAN, Justin. Growth of industry clusters and innovation: Lessons from Beijing Zhongguancun Science Park Justin Tan. Journal of Business Venturing, v. 21, p. 827-850, 2006.

YU, Chen Wen. Study of the Innovation Ecosystem and Marketing of Zhongguancun Science Park. In: CBIM INTERNATIONAL CONFERENCE. Anais… CNIM. Espanha. 2018. Disponível em: <http://cbim2018.org/wp-content/uploads/2018/06/CONFERENCE-PROCEEDINGS-CBIM2018.pdf#page=89>.

ZHOU, Yu. The Making of an Innovative Region from a Centrally Planned Economy: Institutional Evolution in Zhongguancun Science Park in Beijing. Environment and Planning A: Economy and Space, v. 37, n. 6, p. 1113–1134, 2005.

ZHU, Dong.; Tann, Jennifer. A regional innovation system in a small-sized region: A clustering model in Zhongguancun Science Park, Technology Analysis & Strategic Management, v. 17, n. 3, p. 375-390, 2005.

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