Cidade

Smart Cities em pauta!

As projeções para o futuro na urbanização nos provocam cada vez mais a repensar o modo de organização e a vida nas cidades, além do nosso papel como cidadãos nesse processo.

No contexto atual, a vida em áreas urbanas apresenta diversas dificuldades diárias devido à a sua infraestrutura inadequada, como: gestão de resíduos, desigualdade social, criminalidade, desemprego, mobilidade, poluição, entre outros problemas de viabilidade.

Nesse sentido, as próximas décadas trarão profundas alterações no tamanho e na distribuição espacial da população, revelando um rápido crescimento urbano não planejado e que ameaça o desenvolvimento sustentável. Estima-se que atualmente mais da metade da população mundial viva nas cidades e que até 2050 esse índice chegue a 66%, sua duplicação em apenas cem anos. Há um adicional de 83 milhões de pessoas anualmente e a população de 7,3 bilhões de habitantes está projetada para alcançar 10,3 bilhões em cinquenta anos, um aumento referente à 41%. Esse aumento populacional é acompanhado proporcionalmente pelo aumento dos desafios na gestão urbana em diversos aspectos.

Com a crescente urbanização os desafios passam cada vez mais a se concentrar nas cidades, as quais centralizam grande parte da atividade econômica nacional, o governo, o comércio e os transportes, níveis mais elevados de educação e saúde, entre outros. O presente nos provoca a pensar cada vez mais localmente, da rua e o bairro à comunidade e, por fim, à cidade. As mudanças necessitam do empenho de todos os atores envolvidos e, mais do que em qualquer época, do engajamento de seus cidadãos.

As cidades precisam identificar a própria vocação para fazer investimentos e também seus principais pontos de melhorias. Florianópolis, por exemplo, é uma das cidades mais empreendoras do Brasil, tendo maior destaque nas dimensões: inovação e capital humano (Índice de Cidades Empreendoras da Endeavor). Por outro lado, possui sérios problemas na mobilidade, onde acidentes de carro matam mais que homicídios e se apresentando como a região metropolitana brasileira que mais utiliza o automóvel na distribuição modal.

Uma das soluções é o desenvolvimento do modelo de cidades humanas inteligentes. Cidades humanas inteligentes são aquelas em que toda a comunidade participa da transformação do ambiente urbano em um ecossistema de inovação, por meio da interação, colaboração e co-design (OLIVEIRA, CAMPOLARGO, 2015). A transformação de uma cidade que busca ser mais inteligente deve partir da premissa de integração aos desejos, interesses e necessidades (atuais e potenciais) dos seus cidadãos (RIZZO et al, 2013). Nesse processo, a tecnologia deve ser uma facilitadora para conexão e engajamento do governo e os cidadãos, estimulando e apoiando atividades colaborativas que conduzam o aumento do bem-estar social.

Para saber sobre as cidades humanas inteligentes acesse nossa REVISTA VIA!

REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, Alvaro; CAMPOLARGO, Margarida. From smart cities to human smart cities. 48th Hawaii International Conference on System Sciences, p. 2336-2343, 2015.

RIZZO, F. et al. The living lab approach to codesign solutions for human smart cities: lessons learnt from Periphèria Project. In: Proceedings of Co-create Conference. Espoo: Aalto University, 2013. p. 16-19.

UNITED NATIONS. Fatos sobre as cidades. Rio de Janeiro: Departamento de Informação Pública das Nações Unidas, 2012.

______. World Population Prospects: The 2015 Revision, Key Findings and Advance Tables. New York: United Nations. New York: United Nations, 2015.

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Ágatha Depiné

Advogada dissidente e apaixonada pelo conhecimento. Dedica-se a pesquisar o direito à cidade, o protagonismo cidadão, o conhecimento político e sua relação com o desenvolvimento social e urbano inteligente. Cidadã engajada em movimentos sociais para transformação urbana. Doutoranda e Mestra em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela UFSC. agathadepine@gmail.com