Pré-incubadoras

A Influência das pré-incubadoras nas intenções empreendedoras

A influência do desempenho das incubadoras de empresas nas intenções empreendedoras e seus antecedentes durante o estágio de pré-incubação

Desde o início dos ano 80 as incubadoras de empresas começaram a se popularizar, passando de 12 para mais de 1400 em 2006 nos Estados Unidos. Devido a esta popularização os estudos sobre incubadoras e seus efeitos nos processos de empreendedorismos começaram a surgir. Porém, pouco é mencionado na literatura sobre as pré-incubadoras ou seus impactos. Esta é uma síntese do artigo Inflluence of Business Incubators Performance on Entrepreneurial Intentions and Its Antecedents during the Pre-incubation Stage. Seus autores buscaram examinar a influência das percepções dos empreendedores sobre o desempenho da incubadora em suas intenções de criar seu próprio negócio.

Para a construção deste estudo os autores se basearam no modelo Shapero–Krueger. Este é um modelo de empreendedorismo com base na relação de crença-atitude-intenção como referência. Para os autores:

Quando uma pessoa percebe que o empreendedorismo é algo desejável e realmente possível, isso cria a intenção de agir de maneira empreendedora.

Para compreender este modelo quatro conceitos são necessários:

  • Desejabilidade: a desejabilidade percebida é o grau em que um indivíduo encontra seu próprio empreendimento atraente.
  • Viabilidade: viabilidade percebida é definida como o grau em que um indivíduo acredita que é capaz de iniciar um negócio.
  • Auto-eficácia: pensamentos mais íntimos do indivíduo sobre se eles têm as habilidades percebidas como importantes para o desempenho da tarefa.  Da mesma forma, está relacionada com a crença de que serão capazes de converter efetivamente essas habilidades em um resultado escolhido.
  • Condições facilitadoras: São concebidas como os fatores objetivos externos encontrados no ambiente que facilitam a ocorrência de determinado tipo de conduta.

A partir destes quatro conceitos os autores incluíram outros dois: risco e desempenho da incubadora percebido pelo empreendedor. Assim, avaliaram como cada um desdes seis conceitos influenciam a intenção do indivíduo empreender.

Aplicação da pesquisa com empreendedores nas pré-incubadoras

Os autores aplicaram um questionário de 34 perguntas com 1306 pré-incubados. Após a análise das respostas chegaram as seguintes conclusões:

  • As intenções empreendedoras são influenciadas positiva e diretamente pela desejabilidade e viabilidade percebidas e pelo risco percebido na criação de um novo negócio.
  • O risco percebido tem uma influência positiva sobre a desejabilidade percebida. Porém, não tem um efeito significativo sobre a viabilidade percebida.
  •  A viabilidade percebida no empreendedorismo é influenciada positivamente pelas percepções dos empreendedores sobre a auto-eficácia e as condições facilitadoras existentes para realizá-lo.
  • As percepções dos usuários sobre o desempenho das incubadoras afetam positivamente a desejabilidade, a autoeficácia e as condições facilitadoras. Ao contrário, não se observou influência significativa nas percepções sobre o desempenho das incubadoras quanto ao risco percebido.

Assim, os autores concluem que o risco percebido pelos indivíduos incubados é um fator positivo para as intenções, visto que pode ser interpretado como uma oportunidade de negócio. As evidências empíricas obtidas corroboram o efeito positivo do desempenho percebido das incubadoras.  Este desempenho afeta a desejabilidade, a autoeficácia e as condições facilitadoras para iniciar seu próprio negócio.

Para saber mais sobre pré-incubadoras acesso o e-book conceitual,  e o post da série habitats de inovação!

Referências

MARTÍNEZ, Karla Roxana Giordano; FERNÁNDEZ-LAVIADA, Ana; CRESPO, Ángel Herrero. Influence of Business Incubators Performance on Entrepreneurial Intentions and Its Antecedents during the Pre-incubation Stage. Entrepreneurship Research Journal, v. 8, n. 2.

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Rayse Kiane

Mestranda em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (CAPES 6) na área de Mídia e Conhecimento. Graduada em Sistemas de Informação pela UFSC (2014). Pesquisadora vinculada ao Grupo VIA - PPGEGC/UFSC, onde realiza pesquisas interdisciplinares sobre: inovação na educação, mídia e conhecimento na educação, compartilhamento de conhecimento por meio das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), open science e usabilidade de software.

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