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Parques tecnológicos ou parques científicos?

Parques tecnológicos ou parques científicos? A universidade faz a diferença?

Utilizando como referência principal o artigo Technology Parks versus Science Parks: does the university make the difference?, essa publicação tem como finalidade conhecer um pouco mais sobre parques e sua relação com as universidades que atuam nesses espaços. Assim, podemos considerar parques tecnológicos e científicos como locais com equipes de gerenciamento ativamente engajadas em fomentar a criação e desenvolvimento de empresas inovadoras.

Parques tecnológicos versus parques científicos

Parques tecnológicos seguem uma lógica espacial, na qual as empresas podem se beneficiar de diferentes tipos de externalidades. Assim, a localização do parque permite o acesso a insumos especializados (como mão de obra , por exemplo).  Dessa forma, os autores acreditam que a proximidade espacial é importante para gerar inovação. Pois facilitam conexões e a transferência de conhecimento (principalmente tácito).  Sendo assim, os parques tecnológicos visam proporcionar um ambiente de apoio para fortalecer a rede de empreendedores. Dessa forma, sanando problemas associados à empresas de novas tecnologias.

Por outro lado, os parques científicos além de se beneficiarem do aspecto espacial, também se beneficiam das externalidades da pesquisa universitária. Ao contrário de algumas atividades econômicas tradicionais, a área de inovação depende de novos conhecimentos. Dessa forma, as universidades tradicionalmente desempenham um importante papel em originar e promover a difusão de conhecimentos que contribuem na inovação industrial. Outros autores utilizam a tríplice hélice para descrever os processos de inovação realizados em sinergia entre academia, governo e indústria (Etzkowitz e Leydesdorff, 1997), reiterando a importância das universidades dentro do segmento.

Apesar da proximidade de universidades ser vantajosa, é importante dizer que o processo de transferência de tecnologia e conhecimento não é um processo direto. Isso ocorre principalmente porque a universidade e a indústria seguem lógicas muito diferentes. Principalmente quando se trata de propriedade intelectual, a gestão de pesquisa entre esses dois setores é por muitas vezes desafiador.

Evidências apresentadas

O artigo traz algumas evidências empíricas que corroboram com o exposto. Assim, é dito que incentivar a transferência de conhecimento e tecnologia entre universidades e empresas é um dos objetivos declarados dos parques (tecnológicos e científicos). Em primeiro lugar, os vínculos criados são majoritariamente informais e é destacada a dificuldade de identificar relações diretas entre universidade e resultados nas inovações.

Em segundo lugar, o número de patentes em parques com presença universitária forte é maior. A criação de patentes  gera segurança em relação a propriedade intelectual. Entretanto, alguns problemas podem surgir de patentes, fruto de parcerias entre empresas e universidades. Isso ocorre principalmente por conta de lógicas econômicas profundamente diferentes entre as duas instituições.

Em último ponto, a cooperação de empresas locadas em parques com a universidade gera argumentos teóricos contrastantes. Por um lado, melhorar relações academia-indústria é uma das principais razões para existência dessas parcerias. Empresas que se beneficiam podem usualmente utilizar das instalações universitárias, além de se associarem ao prestigio usualmente correlacionado à instituição.

 

Para conhecer mais sobre parques tecnológicos e parques científicos, acesse nosso livro de alinhamento conceitual.

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Lúcio de Souza Silva

Graduando em Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Entusiasta de qualquer atividade relacionada a inovação e tecnologia.

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