Hong Kong 1990268

Cidades inteligentes e o futuro da vida urbana

Os desafios nas áreas urbanas para moradores, governo, empresas e pesquisadores são crescentes, considerando o rápido aumento no fluxo de pessoas e a ausência de uma gestão eficiente de recursos em grande parte das cidades. Tais dificuldades se repercutem nas evidentes desigualdades, na baixa qualidade de vida dos cidadãos e na preocupação com o futuro dos ecossistemas urbanos. A geração de soluções parece ser mais lenta que o surgimento de novos problemas e aumento das situações críticas atuais.

O progresso tecnológico e a popularização da internet permitiu que soluções criativas e empreendedoras passassem a se fundir com o uso do espaço urbano pelos cidadãos, como os aplicativos Waze, Uber e Strava na mobilidade e Booking ou Airbnb no aproveitamento de imóveis e acomodações. Outras soluções passaram a ser adaptadas pelos usuários a essa finalidade, como o WhatsApp, na criação de grupos de condôminos ou associações de moradores para discutir questões de interesse comum como a segurança. Essas soluções impactaram não apenas na forma de consumo de serviços, mas na forma de se relacionar com o espaço urbano, transformando-o em um espaço mais flexível e digital.

De forma menos abrangente que aplicativos, sistemas e plataformas foram criadas por grandes empresas de tecnologia, como IBM e Siemens, para centralizar e gerenciar os dados disponíveis em todas as esferas urbanas, permitindo aos administradores públicos a tomada de decisão e planejamento do futuro com melhor embasamento e conhecimento da realidade. No Brasil, exemplos de cidades que se utilizam desses recursos são Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Cidades que integraram a tecnologia de forma coordenada e sistematizada a sua gestão, em menor ou maior escala, passaram a ser chamadas de “cidades inteligentes”. Conceitualmente, uma cidade inteligente é um ecossistema urbano inovador, caracterizado pelo uso generalizado de tecnologia na gestão de seus recursos e infraestrutura (ZYGIARIS, 2013; NEIROTTI et al, 2014). Idealmente, cidades inteligentes são aquelas que melhor realizam a visão de futuro em seis dimensões: economia, pessoas, governança, mobilidade, meio ambiente e qualidade de vida, sendo construídas com base em uma relevante combinação de atitudes decisivas, independentes e conscientes de seus diferentes atores (GIFFINGER, GUDRUN, 2010).

Esse modelo urbano é baseado no investimento significativo em tecnologias para melhor gerenciar a vida urbana. Porém, alternativas simples originadas na própria comunidade podem ser mais efetivas na solução dos problemas urbanos do que o uso de tecnologia pela gestão pública. Alguns exemplos de iniciativas cidadãs são: Escola Convexo para aproximar pessoas por um propósito comum em transformação social, Movimento Traços Urbanos para ações coletivas para qualificar espaços públicos de Florianópolis/SC, Operação Serenata de Amor para auditar contas públicas e combater a corrupção, Meu Rio para informar e incluir os cariocas nas decisões que definem o futuro da cidade, entre outras iniciativas.

Com isso, ressalta-se que os recursos tecnológicos são apenas um dentre vários recursos que podem resultar em melhor sustentabilidade econômica, humana e ambiental nas cidades. Dessa forma, o desafio para as cidades inteligentes ou que buscam se tornar inteligentes é equilibrar a infraestrutura tecnológica com a participação, engajamento e formação dos cidadãos para a transformação urbana inovadora.

 

PARA SABER MAIS

REVISTA VIA: http://via.ufsc.br/wp-content/uploads/2016/10/revistaVIA-1ed.pdf

VÍDEO: http://via.ufsc.br/via-tem-tema-de-smart-cities-no-programa-consciencia/

EBOOK: http://via.ufsc.br/dowload-ebook-smart-cities/

ARTIGO: DEPINÉ, Ágatha; ELEUTHERIOU, Vanessa; MACEDO, Marcelo. Human Dimension and the Future of Smart Cities. In: V Congresso Internacional Cidades Criativas, 2017, Porto. ACTAS ICONO14. Madrid: ASOCIACIÓN DE COMUNICACIÓN Y NUEVAS TECNOLOGÍAS, 2017. v. 2. p. 947-956.

*Por Ágatha Depiné – Mestra e Doutoranda em Engenharia e Gestão do Conhecimento do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC. agathadepine@gmail.com